O que fazer em Valdivia, no sul do Chile

Se você digitar no Google a expressão Valdivia Chile irá perceber que o mecanismo de busca sugerirá o ex-jogador de futebol do Palmeiras, que leva o mesmo nome da cidade sulista. O atleta chileno teve passagem pelo time paulista e pelo Colo Colo, equipe tradicional de Santiago e um adversário que incomoda um pouco os times brasileiros na Taça Libertadores da América.

Futebol à parte, nosso foco é apresentar a cidade de Valdivia, que fica na região de Los Rios, sul do Chile. A localidade é famosa por ter sido escolhida pela natureza para sediar o maior terremoto já visto no mundo até hoje, cuja magnitude do sismo alcançou os impensáveis 9,5 graus na escala Richter.

Mas Valdivia é muito mais que uma catástrofe histórica. O pequeno município chileno, com cerca de 150 mil habitantes, é cercado por belezas naturais, que inclui paisagens repletas de verde e belos rios, como o Valdivia, Calle-Calle e Cau-Cau. Outras atividades estão disponíveis para os visitantes que preferem tranquilidade à agitação, já que o lugar não está na rota do turismo massificado. Se esse é o seu estilo de viagem, a charmosa Valdivia te espera.

Valdivia é uma cidade que oferece muitos passeios de barco pela natureza. (Foto: Pixabay)

Conheça um pouco sobre Valdivia, no Chile

Valdivia fica a aproximadamente 839 Km da capital Santiago. Apesar de não ser tão explorada turisticamente, ela está próxima a Pucón, considerada a melhor cidade do interior do país para se visitar. Por conta da proximidade, é fácil que os visitantes estiquem a viagem de uma a outra. Pucón é muito procurada pelos amantes de aventura e ecoturismo, com destaque para os passeios até o famoso vulcão Villarica.

A fundação de Valdivia data de 1552 e ocorreu através do militar e conquistador espanhol Pedro de Valdivia, que dá nome a uma das estações de metrô do bairro Providencia, em Santiago. Em 1541, o espanhol já havia fundado justamente a capital do país. Suas conquistas ainda englobam as cidades de La Serena (1544), Concepción (1550) e La Imperial (1551). Entre os anos de 1540 e 1547, bem como de 1549 a 1553, o militar foi escolhido como governador do Reino do Chile.

Os holandeses tentaram ocupar aquele território nos anos 1600, porém, sem êxito. Já na segunda metade do século 19, a localidade começou a ser habitada por imigrantes, em que os alemãs foi a maioria. Aliás, é comum encontrar rastros da civilização alemã pelo sul do Chile.

Valdivia tem um clima frio no inverno. Mas nada que atrapalhe os casais românticos em busca de sossego para namorar. No entanto, não costuma nevar por lá, ao contrário de outras cidades do sul do país. Isso ocorre por conta da sua baixa altitude.

Para aproveitar melhor as opções de lazer, o verão é a época mais indicada para uma visita, já que é quente e seco. Principalmente com relação a passeios pelos parques e bosques locais. E também para aqueles que desejam se hospedar em um hotel com piscina, claro.

O verão é a época mais indicada para visitar Valdivia, pois o clima é quente e seco. (Foto: Chile Travel)

O que fazer em Valvidia

Sair a pé para caminhar é uma alternativa das mais agradáveis. Como já frisado, a cidade abriga parques, bosques e rios, o que garante um recorrido encantador em meio à natureza. Às margens dos rios é possível encontrar simpáticos leões-marinhos aproveitando para relaxar. Os animais costumam comer os restos de peixes que são limpos no Mercado Fluvial (Feria Fluvial), que se localiza no centro da cidade. Ainda dá para aproveitar e fazer um passeio de barco pelos rios de Valdivia, cujos tours saem nas proximidades do próprio mercado. Toda a região de Los Rios é cortada por mais de uma centena de rios.

Ainda pelo centro, aproveite pata visitar a feirinha de artesanato e garantir lembranças graciosas para a família. Já o Jardim Botânico da Universidade Austral do Chile, que possui uma extensão de 10 hectares, é mais um espaço verde para se conhecer.

Mas se sua preferência é por história, as ruas Yungay e General Lagos contam com edifícios do início do século 20 que sobreviveram ao grande terremoto. Por outro lado, o Museu Histórico e Antropológico Maurice Van de Maele dispõe de um rico acervo sobre a cultura mapuche, povo indígena da região centro-sul do Chile que por três séculos lutaram contra a invasão espanhola no país. Além disso, a edificação colonial alemã que acomoda o museu foi declarada Monumento Nacional.

Ainda no quesito história, pelas cercanias de Valdivia estão as ruínas de fortalezas que serviram para proteger o município chileno da invasão dos holandeses. Pode-se chegar às ruínas tanto de carro quanto de barco, que tem como ponto inicial o mercado. As principais atrações são os fortes de Corral, erguido em 1645, e o de Niebla, de 1671, bem como o Castelo de Mancera, também do século 17.

Outro passeio de barco disponível nos leva até o povoado indígena de Punucapa. Esta é a porta de entrada para o Santuário da Natureza Carlos Anwandter, que reúne muitos turistas interessados em ecologia e pássaros nativos, assim como o cisne de pescoço preto. Outra peculiaridade da vila é a sidra de maçã produzida em grande escala para atender todo a nação.

Aos amantes de uma boa cerveja, saiba que Valdivia é conhecida como a capital da cerveja artesanal no país. São mais de vinte cervejarias espalhadas pela cidade, com destaque para Kunstmann, marca bastante apreciada nesse canto da América do Sul. É fácil encontrar algumas das dezesseis opções diferentes de Kunstmann pelos supermercados de Santiago. A dica é visitar a fábrica e conhecer o processo de manufatura da bebida. Depois da visita, uma passada no restaurante para apreciar uma caneca de cerveja e comer um autêntico prato alemão.

Os simpáticos leões-marinhos são um show à parte em Valdivia. (Foto: Mochilão Barato)

Outros passeios por Valdivia

Trem El Valdiviano

Trata-se de uma locomotiva a vapor britânica que remonta ao ano 1913, o único no Chile que ainda opera nesse termos. Viaje em direção a Antilhue e relaxe curtindo a rota pitoresca com um ambiente verdejante. Os passageiros do El Valdiviano podem degustar no trem da gastronomia típica daquela zona, como as tortillas de rescoldo, pan amasado e empanadas de pino. Aproveite para descer nas paradas Pishuinco e Huellelhue para comprar souvenirs e saborear as especialidades locais.

Mercado Municipal

Não confundir com o Mercado Fluvial. Aqui os visitantes poderão saborear pratos da cozinha tradicional chilena, bem como os produtos locais, que incluem uma grande variedade de peixes frescos. O prédio de 1918 passou por reformas após colapsar durante o grande terremoto. A dica é experimentar o Valdiviano, uma sopa local de carne e vegetais. Prove também os Choritos al Ajillo, mexilhões com alho e pimenta.

Torreón Los Canelos

A torre é uma obra histórica que pertence ao conjunto de monumentos nacionais do Chile desde o ano 1926. Ela é o que restou de uma construção erguida no século 17 como parte de uma rede de infraestrutura de defesa para neutralizar o ataque de povos indígenas na cidade.

O Torreón Los Canelos é datado do século 17. (Foto: Wikimedia Commons)

Terremoto de Valdivia

O terremoto de Valdivia aconteceu no dia 22 de maio de 1960 e teve seu início às 15h11 (horário local). O abalo sísmico atingiu 9,5 graus na escala Richter, o maior que a humanidade já presenciou. As duas palavras que descrevem os sismos acima de 9 pontos são: catástrofe e cataclismo. E foi justamente isso que aconteceu na cidade.

Segundo consta, Valdivia afundou cerca de dois metros após o fenômeno. Sua geografia mudou no mapa. Também pudera, o terremoto foi sentido em vários cantos do planeta e causou um tsunami que afetou o Havaí, Filipinas e Japão, por exemplo. Além disso, ocasionou a erupção do vulcão Puyehue, que fica na Cordilheira dos Andes, próximo a fronteira com a Argentina.

A história conta que o evento foi uma série de terremotos que culminou na magnitude conhecida, com duração de infindáveis 10 minutos. Algo realmente inimaginável. As ondas gigantes chegaram a 10 metros de altura em partes do Chile. Outros desastres naturais foram desencadeados a partir do evento, como deslizamentos de terra nos vales glaciais do sul dos Andes. A destruição foi total.

Estima-se que algo como 5.700 pessoas tenham morrido na tragédia, e mais de 2 milhões ficaram feridas. Os tsunamis mataram 62 pessoas no Havaí e 31 nas Filipinas. As réplicas do terremoto puderam ser sentidas por mais de um ano, até que as placas tectônicas se acomodassem.

Conheça nossos artigos sobre terremoto para você se inteirar sobre o assunto e saber o que fazer caso esteja no Chile e passe por uma experiência dessa espécie.

Valdivia deixou a tragédia para trás, mas sem esquecer o respeito à natureza. (Foto: Amona)

Como chegar a Valdivia, no Chile

Pode-se chegar a Valdivia de avião, com voos com duração de 1h20 que partem de Santiago. O aeroporto local fica a 32 Km do centro. Há também voos que saem de Puerto Montt e de Punta Arenas.

De ônibus, a partir de Santiago, a viagem dura cerca de 12 horas. De Pucón até lá, 3 horas. De carro, indica-se que a viagem seja feita em casal ou em grupo. A estrada oferece lindas paisagens durante o trajeto. Com paradas para fotos, o tempo de duração do deslocamento pode chegar a 10 horas.

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